
A chuva espessa que rasgou os céus do Recife e permaneceu até às 9h30 da manhã desta sexta-feira (25/09) não desanimou os eleitores que compareceram em peso à concentração da Caminhada “Brasil Pronto Pra Mais”, do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo dados da assessoria de imprensa da campanha, mais de 80 mil pessoas marcaram presença no evento. Lula foi recebido pelos candidatos à governador, João Campos (PSB) e ao Senado Marília Arraes e Humberto Costa.
Na reta final da campanha, o atual presidente e candidato à reeleição acenou ao público endividado por jogos de azar e empunhou um cartaz que dizia “fim das bets”. No discurso, ressaltou “ninguém merece gastar o que não tem para ganhar o que não existe”, e enfatizou que a prioridade é “comprar comida, compra o leite das crianças”.
Em outro ponto do discurso, Lula destacou as obras implementadas no estado, desde o primeiro mandato, iniciado em 2003. “Quando eu tomei posse, peguei um avião com os ministros e vim à Brasília Teimosa (bairro da zona sul de Recife), começamos a urbanizar aquela área, foi uma das minhas primeiras ações como presidente”, relembrou.
Lula enumerou os investimentos feitos na terra natal ao longo dos três mandatos, ressaltando que, antes, “o Nordeste não era visto como região de desenvolvimento”.
“O Nordeste se acostumou com o que é bom e não quer mais ser esquecido”, bradou, para, em seguida, indagar: “quem trouxe a refinaria? Quem trouxe a Hemobrás? Quem trouxe o Porto de Suape?”.
O candidato também destacou que foi no governo Bolsonaro que Daniel Vorcaro virou banqueiro. “Mas, no meu, ele teve os casos de corrupção descobertos e foi preso”, completou.
A escalada do risco de intervenção dos Estados Unidos nas eleições, assim como de maior interferência do país norte-americano na governança brasileira, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, também foram destaques na fala de Lula aos eleitores pernambucanos.
“Não vamos deixar o Brasil se tornar quintal de ninguém”, prometeu, fazendo menção às articulações dos filhos de Bolsonaro com a cúpula do governo de Donald Trump.
Em matéria recente publicada na imprensa local, o candidato a governador pelo PSOL, Ivan Moraes sugeriu que Raquel Lyra, atual governadora de Pernambuco e candidata à reeleição pelo PSD, subiria ao palanque de Lula.
Até a véspera da chegada do presidente havia a expectativa de que Lyra tornasse pública sua decisão. Ligada a políticos da extrema direita de Pernambuco, ela não compareceu ao evento.
Para pedir voto para Lula, a governadora teria que abandonar a estratégia “pernambuquista”, em alusão à ideia de independência partidária e de uma atuação que, segundo ela, “prioriza Pernambuco”.

Apesar do discurso de neutralidade, a candidata à reeleição recebeu em seu palanque membros do núcleo duro do bolsonarismo, como a deputada federal Clarissa Tércio (PP).
Ainda assim, Lyra afirma que “tanto faz Flavio Bolsonaro ou Lula na Presidência”, e que vai “governar com quem estiver (no poder)”.
Em 2002, quando foi eleito pela primeira vez, Lula obteve 2.198.673 votos em Pernambuco. Em 2006, o número aumentou para 2.993.618, enquanto em 2022, recebeu 3.640.933 – mais do que o dobro de votos do então presidente Jair Bolsonaro, seu adversário, que reuniu 1.798.832 preferências.



