
A campanha do ex-prefeito de João Pessoa e candidato a governador, Cícero Lucena (MDB), protocolou na manhã desta quarta-feira (30) a segunda Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) da campanha eleitoral deste ano, na Paraíba. Dessa vez os advogados dizem ter descoberto um sistema de “documentação de compra de votos”, que teria usado servidores públicos do Estado.
De acordo com a ação, a plataforma foi identificada no início de setembro e teria dados de milhares de visitas, pedidos e avaliações de intenção de voto e rejeição dos candidatos que disputam o Governo e o Senado na chapa governista.
Entre as solicitações, atendidas e pendentes, estariam consultas, exames, cirurgias, botijões de gás, tijolos e empregos.
Em nota, o advogado Fábio Brito, que atua na coordenação de campanha de Lucas, disse que “até o momento, não foi notificada da Ação de Investigação Judicial Eleitoral ajuizada pela coligação do candidato Cícero Lucena nem teve acesso ao seu conteúdo. A campanha atua com absoluta regularidade e lisura, em estrito cumprimento da legislação eleitoral. No momento oportuno, os fatos serão devidamente esclarecidos perante a Justiça Eleitoral”.
“As pessoas faziam essa visita qualificada, identificavam as demandas, depois retornavam atendendo esses pleitos e, por fim, perguntavam em quem os beneficiários iriam votar. É a primeira vez que vejo uma documentação da compra de votos”, afirmou Walter Agra, que representa a campanha de Cícero Lucena, em coletiva de imprensa.
No total, conforme a AIJE, pelo menos 8.592 abordagens, 1.721 demandas individualizadas, 723 pedidos de material e 6.942 revisitas foram catalogadas.
“Após a denúncia, a plataforma foi retirada do ar. Mas nós já baixamos tudo e encaminhamos ao Ministério Público Eleitoral”, adiantou Agra, acrescentando que as visitas foram feitas nas cidades de João Pessoa, Bayeux e Cabedelo.
Nos cadastros da plataforma haveria nomes de servidores públicos do Estado, usados para visitar as residências. A AIJE alega compra de votos e abuso de poder político e econômico. A plataforma teria como endereço o nome “www.qualificada83.com.br”, segundo a AIJE.



