Ministro da Defesa da Venezuela acusa EUA de matar ‘a sangue frio’ seguranças de Maduro e ‘civis inocentes’

A reunião ministerial extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela terminou sem acordo para uma declaração unificada.

Segundo fontes do Itamaraty, isso já era esperado, devido às fortes divisões que existem hoje na região.

Argentina e Paraguai, dois países que apoiaram a queda de Nicolás Maduro, participaram da reunião a nível técnico, ou seja, sem a presença dos seus chanceleres.

Já o Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que reforçou a posição do presidente Lula de condenação do ataque americano e da captura de Maduro.

Mais cedo, o Brasil também divulgou uma nota conjunta com Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha criticando a “gravidade dos eventos ocorridos na Venezuela” após a intervenção dos EUA no país sul-americano — embora esse fato não seja diretamente citado no comunicado.

O texto repudia “as ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela”, as quais iriam de encontro a “princípios fundamentais do direito internacional” consagrados pela Carta das Nações Unidas — mais especificamente a proibição da ameaça e do uso da força e o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados.

“Essas ações criam um precedente extremamente perigoso para a paz, para a segurança regional e colocam a população civil em risco”, diz a nota conjunta.

O que aconteceu até agora hoje
Se você está chegando agora à nossa cobertura ao vivo, aqui está um resumo do que aconteceu até agora hoje, um dia depois de os Estados Unidos ordenarem um ataque militar na Venezuela e capturarem o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, levando-os a Nova York para enfrentar acusações relacionadas a narcoterrorismo e armas.

Na madrugada de domingo, vimos as primeiras imagens e vídeos da destruição na Venezuela provocada pelos ataques dos EUA. Ainda não está claro quantas pessoas podem ter ficado feridas ou morrido.

O papa Leão 14 falou pela primeira vez e ressaltou a importância de “garantir a soberania” da Venezuela.
O secretário de Estado Marco Rubio falou com vários veículos de imprensa nesta manhã e foi questionado se os EUA estão governando a Venezuela. Ele respondeu que os Estados Unidos estão “conduzindo a direção” que faz as coisas avançarem.

Ele também foi perguntado se considera que a presidente interina Delcy Rodríguez é agora a presidente legítima da Venezuela e evitou responder diretamente, dizendo que “não se trata do presidente legítimo”, já que os EUA não consideram legítimo o regime em vigor.

Em outra entrevista, o secretário de Estado foi questionado sobre por que os EUA não prenderam outros membros do regime de Maduro. “É muito simples”, respondeu Rubio. “Você não vai entrar e sair prendendo todo mundo”, afirmando que eles “capturaram a principal prioridade”.

O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou na televisão nacional que o Exército deu apoio à vice-presidente Delcy Rodríguez para atuar como presidente interina.

Enquanto isso, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, devem comparecer a um tribunal federal em Manhattan na segunda-feira, segundo informou um porta-voz do tribunal no domingo. Atualmente, ambos estão detidos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn.