
O período eleitoral produz episódios inimagináveis. As trocas de farpas envolvendo os personagens da cena política vão desde as falhas de incapacidade administrativa, passam pela vida pessoal e profissional e até “catinga” o algoz bota um no outro. Dente quebrado e sovaqueira também são temas de debates públicos.
Mas a política de Guarabira na versão 2016 não está começando com fofoquinhas miúdas da politicalha comezinha já conhecida do grande público, dos tantos cidadãos que assistem inertes ao espetáculo dantesco de parte do segmento político local. Agora, “o coco seco e o buraco é de lado”. Os personagens estão cantando coisa de milhares e milhares de reais.
No dia da convenção do PSDB, que homologou o nome do prefeito Zenóbio Toscano como candidato à reeleição, o presidente da Câmara de Guarabira, Inaldo Júnior (PTB), deu entrevista numa emissora de rádio local, disse que não estava mais com o prefeito e anunciou que será candidata a vice na chapa de Fátima Paulino (PMDB).
Na convenção, o prefeito fez um discurso inflamado e disse alto em bom tom, que o presidente da Câmara pediu R$ 169 mil para não romper. Zenóbio relatou que a conversa foi em seu apartamento e contou detalhes. Segundo ZT, Inaldo estava precisando do dinheiro para pagar um empréstimo que fez em nome de uma funcionária de seu estabelecimento comercial, um correspondente bancário. De acordo com o prefeito, como ele se negou essa teria sido a razão para o rompimento do aliado.
Antes do dia da convenção, que foi no dia 20 de julho, muitos encontros aconteceram com o próprio Zenóbio e com o ex-governador Roberto Paulino, emissário da pré-candidata Fátima para buscar conquistar o apoio de Inaldo e tirá-lo de ZT. As negociações foram intensas, muitos almoços em restaurantes da região. Na casa do presidente, entravam e saíam negociadores dos dois blocos. Mas somente no dia da convenção o martelo foi batido.
No dia 21 julho, depois da repercussão das declarações de ZT, o presidente procurou o Portal Independente, do empresário Gibal Martiliano, rebateu as acusações de tentativa de extorsão e disse ter sido “cantado” por R$ 30 mil pelo prefeito, acusando o gestor de tentar lhe comprar. Além da verba para gastar na campanha, no dizer de Inaldo, ainda vinha de quebra alguns empregos para cabos eleitorais e cota de remédio na farmácia. O presidente disse não ter aceitado a proposta do prefeito e caiu nos braços de Paulino a troco de nada, somente por causa dos olhos azuis de Fátima.
A sociedade, alheia aos porões das negociações pouco republicanas, assistiu atônita a esse debate público do famigerado “quem dá mais”. E o curioso disso tudo é que pouco se ouviu combater essa prática nos meios de comunicação de massa, nas emissoras de rádio de Guarabira. Quando muito se falou foi “pendendo” para um lado da moeda, como se ela não tivesse dois lados.
Os fatos estão aí saltando aos olhos, em toda bodega de esquina se comenta o assunto, o menino buchudo conversa com a mãe em casa sobre isso, mas quem deveria atuar para esclarecer esse “poder sem pudor” nada diz, nada faz. O representante do Ministério Público ainda não disse se “bolacha é caco”.
Ora, não está se tratando da galinha magra que Zé Buchudo furtou do poleiro da casa do vizinho. Aqui o debate envolve a maior autoridade do município, o chefe do Poder Executivo, o presidente do Poder Legislativo e um ex-governador de Estado. Não é menino brigando por pirulito. Envolve ainda cifras elevadas, fardos de notas graúdas, fora da realidade dos que estão à margem dos bens de consumo.
Se o Ministério Público assiste inerte ao fato público, se está aguardando ser provocado para se manifestar, então é o fim da picada. Com a palavra, as pedras.




