
Por Jota Alves
Em 2026, pela primeira vez depois de 40 anos, o grupo Paulino não irá apresentar candidatura na disputa das eleições estaduais. Uma história política de quatro décadas que será interrompida por um hiato, a ser ainda calculado o tamanho do prejuízo.
Durante o último fim de semana, o clã Paulino, representado por Roberto, Fátima e Raniery, anunciou a desistência em participar do pleito estadual, e confirmou apoio ao projeto político do pessoense Tibério Limeira na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa da Paraíba.
Ao perceber que o terreno está minado, ao se enxergar “no mato sem cachorro”, vendo Tibério ocupar o território no campo oposicionista com a chancela do governador João Azevêdo, não restou a Paulino outra alternativa. Com voto em Limeira, agrada a governador e evita outro vexame, visto que até o único vereador do Republicanos, partido de Paulino, está desde algum tempo amarrado a Tibério. Tudo à revelia da “liderança” de Paulino.
Mesmo suplente de federal, Raniery não vai se candidatar a vaga na Câmara dos Deputados mais uma vez por duas razões. A primeira: tendência da redução de 12 para 10 cadeiras a partir de 2026. A segunda: não quer perder a segunda eleição seguida. Assim sendo, o grupão (Paulino e vereadores do intitulado ‘Time Tibério’) já está 90% fechado para digitar na urna o número de Hugo Motta para deputado federal.
Num intervalo de 40 anos, a ser preenchido daqui a pouco mais de dois meses, em todas as campanhas estaduais, desde 1986, o grupo Paulino sempre esteve na disputa por algum mandato eletivo. Não estamos falando de poucos anos, estamos tratando de quatro décadas de disputas eleitorais com campanhas na rua a pedir votos aos eleitores. Ano que vem, a menos que resolva faltar com a palavra, Paulino será apenas cabo eleitoral.
Na próxima campanha estadual os Paulino terão que desconstruir o discurso que fizeram a vida toda, de que é ruim para a cidade votar em candidato “forasteiro” e que a cidade ganha votando num filho da terra para representar a cidade no cenário estadual e nacional. Paulino agora dirá que o bom mesmo é digitar na urna eletrônica os números dos candidatos “forasteiros” e que candidato da terra não faz bem à Guarabira.
O que estamos assistindo é o início de um processo de decadência política de uma família que durante décadas esteve como protagonista da cena. O tempo passa e o poder não é eterno.
Isso não significa dizer que mais na frente Paulino não possa ressurgir e volte a concentrar as atenções e as decisões em torno de si. A dinâmica da política pode nos surpreender. No entanto, não nos parece plausível prospectar que a curto prazo a maré possa virar para recolocar Paulino numa posição de protagonista na política estadual.
O recuo é histórico e trará, inevitavelmente, prejuízo eleitoral. Paulino fez as contas e achou por bem negociar os votos com Tibério. Não sei se combinou com o povo.
As eleições com Paulino nos últimos 40 anos:
Roberto Paulino
Candidato a deputado estadual em 1986 (eleito)
Candidato a deputado federal em 1994 (eleito)
Candidato a vice-governador em 1998 (eleito)
Candidato a governador em 2002 (derrotado)
Candidato a deputado federal em 2010 (derrotado)
Candidato a vice-governador em 2014 (derrotado)
Candidato a senador em 2018 (derrotado)
Robson Paulino
Candidato a deputado federal em 1990 (derrotado)
Raniery Paulino
Candidato a deputado estadual em 2006, 2010, 2014 e 2018 (eleito)
Candidato a deputado federal em 2022 (derrotado)

Jota Alves é radialista com passagens pelas rádios Constelação FM e Rural AM de Guarabira, Tabajara de João Pessoa e jornais Folha do Brejo e Jornal da Paraíba. Atualmente é editor e articulista político do Portal 25 Horas.
E-mail: jota25horas@gmail.com


