A bolsa de valores brasileira, a B3, enfrenta mais um dia de forte turbulência nesta quinta-feira (12), e paralisou as negociações pela segunda na mesma sessão, o que não acontecia desde a crise de 2008. acompanhando os mercados financeiros globais em razão dos últimos desdobramentos ligados à pandemia do novo coronavírus.
Às 12h41, o Ibovespa tinha queda de 16,31%, a 71.466, após a segunda paralisação dos negócios do dia. Caso a queda chegue a 20%, a bolsa pode decidir por nova suspensão dos negócios (a duração será decidida pela própria Bovespa). Veja mais cotações
Às 11h12, o Ibovespa caía 15,43%, a 72.026 pontos, quando foi acionado o 2º “circuit breaker” do dia – sistema que interrompe os negócios automaticamente quando a queda supera 15%. A paralisação foi de 1 hora. Às 10h22, quando o Ibovespa caía 11,65%, os negócios foram paralisados por meia hora.
É a 4ª vez na história da B3 que os negócios são paralisados pela 2ª vez na mesma sessão. A última paralisação de 1 hora por queda de mais de 15% tinha ocorrido em 6 de outubro de 2008. Foi também a 4ª suspensão das negociações numa mesma semana – e a primeira vez que isso aconteceu.
Entre as principais baixas desta quinta, Petrobras tinha queda de mais de 20%. Azul PN derretia 27% e Gol PN perdia 26%.
Impactos do coronavírus
A medida de Trump assusta os mercados, que seguem de olho nos impactos do coronavírus na atividade econômica mundial. Também na terça, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o surto como uma pandemia – logo depois, a bolsa brasileira caiu mais de 10%, e teve seus negócios paralisados. O Ibovespa encerrou a terça em baixa de 7,64%, 85.171 pontos.
“Os mercados globais estão abrindo novamente em estado de pânico. Estamos vivendo a tempestade perfeita, o ‘Black Swan’ clássico”, destacou o estrategista Dan Kawa, da TAG Investimento, em email a clientes, segundo a Reuters.
Exterior
– Lá fora, as bolsas afundam. Na Ásia, a bolsa de Tóquio fechou em baixa de 4,41%, enquanto a de Xangai caiu 1,52%
– Já os preços do petróleo têm mais um dia de queda acentuada, recuando cerca de 6% pela manhã
– Na Europa, as bolsas operam em queda de mais de 6%, acumulando perdas de quase 30% em um mês
Cenário doméstico
Pesa também no mercado de câmbio nesta quinta a derrota sofrida pelo governo no final da tarde de quarta-feira, após o Congresso Nacional derrubar o veto presidencial a projeto que amplia o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), com impacto estimado em cerca de R$ 20 bilhões já no primeiro ano.
Em razão do impacto orçamentário da medida, o mercado enfrenta agora outro vetor de risco, do lado fiscal brasileiro, o que aumenta as incertezas sobre as relações entre Executivo e Legislativo, e sobre o ritmo de recuperação da economia brasileira.
Do G1





