
O cenário político e eleitoral da Paraíba vive momentos de forte tensão institucional. Impulsionado por operações da Polícia Federal, ações judiciais no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB) e graves denúncias de uso da máquina pública, o debate político ganhou novos contornos de cobrança por transparência e respeito à legalidade.
Para repercutir o momento e a sucessão de escândalos que cercam o grupo que comanda o Estado, nossa reportagem ouviu o vereador Bruno Farias, conhecido por sua atuação firme e combativa na tribuna. Para ele, o acúmulo de denúncias revela não apenas uma disputa jurídica nos tribunais eleitorais, mas uma grave crise de coerência ética e política na gestão estadual.
A instrumentalização da máquina e a gravidade das AIJEs – As representações protocoladas recentemente no TRE-PB — como a chamada “AIJE dos Fantasmas”, que questiona milhares de contratações em ano eleitoral, e a “AIJE Shoppe do voto”, que aponta o cruzamento de dados de necessidades da população com intenções de voto — colocam em xeque a lisura do pleito.
“O que nós estamos assistindo na Paraíba é estarrecedor. A máquina pública estadual foi transformada em um comitê eleitoral disfarçado. Quando se denuncia um ‘Shoppe do voto’, cruzando a carência, a fome, a necessidade de um exame médico de um cidadão com a exigência de apoio político, nós estamos diante da degradação absoluta da política. Não é apenas uma infração eleitoral: é um atentado contra a dignidade do povo paraibano”, disparou o vereador.
Sobre o inchaço da folha de pagamento em período vedado, Bruno Farias foi categórico ao cobrar celeridade da Justiça Eleitoral: “São milhares de contratados jogados nas costas do orçamento público justamente às vésperas da eleição. A sociedade paraibana exige que o TRE-PB atue com rigor para que o abuso de poder político e econômico não decida o destino do nosso Estado nas urnas.”
O escândalo da Polícia Federal e o financiamento de campanhas – A deflagração de operação da Polícia Federal que culminou no bloqueio de R$ 9 milhões e na apreensão de milhares de reais em espécie ligados à campanha do candidato a deputado federal Fábio Tyrone (PSB) também entrou na mira das críticas. O caso gerou repercussão nacional devido ao histórico judicial de Tyrone, condenado por violência doméstica, e aos recursos do fundo partidário injetados em sua candidatura.
Para o parlamentar, o episódio expõe um duplo padrão inaceitável por parte dos partidos e lideranças envolvidas: “Como é possível que um grupo que desfila com discursos oficiais em defesa das mulheres feche os olhos e injete milhões de recursos públicos em fundos eleitorais para financiar a campanha de um aliado com condenação por agressão? A incoerência é flagrante. O silêncio cúmplice do Palácio da Redenção e dos padrinhos políticos dessa candidatura mostra que, para eles, a bandeira dos direitos das mulheres só serve para os palanques, e não para a prática”, pontuou Bruno Farias.
A “República dos Filhos” e o cabide de empregos familiares – “O governo virou um ‘toma lá, dá cá’ de laços de sangue e interesses paroquiais. Secretários saem para disputar a eleição e deixam os filhos sentados nas cadeiras de comando, gerindo pastas vitais do Estado como se o patrimônio público fosse uma herança de família. É a ‘República dos Filhos’ substituindo a meritocracia e a moralidade republicana”, criticou.
Um chamado à lucidez e à fiscalização democrática – Encerrando sua avaliação, o vereador fez um apelo direto aos eleitores paraibanos sobre a importância do voto consciente e da fiscalização firme exercida pelas oposições e pela imprensa livre.
“A Paraíba não pode continuar sendo refém de práticas arcaicas de cooptação, de uso descarado da estrutura de governo e de discursos vazios. A resposta a toda essa sanha de poder virá da consciência do povo nas urnas. Seguiremos vigilantes, denunciando os abusos e cobrando justiça, porque o nosso Estado é maior do que qualquer projeto de poder familiar”, concluiu Bruno Farias.


